Riley aka Flicker

Abaixo está a primeira de seis ilustrações de personagem para meu novo livro Zeroes, escrito com Margo Lanagan e Deb Biancotti. A imagem é de Jennie Gyllblad.

O nome dela verdadeira é Riley, mas ela é chamada de Flicker:

Zeroes_Flicker_600Collective Optical Hijack

Flicker não consegue ver pelos seus próprios olhos, mas ela pode pegar emprestado os de qualquer pessoa ao redor dela, em outras palavras, sozinha em um quarto ela não consegue ver. Em uma sala com algumas outras pessoas, ela pode ver e muito. E em uma multidão, ela é quase onisciente.

Todos os poderes de Zeroes funcionam assim: quanto mais pessoas por perto, mais fortes eles são. Super poderes com fonte na multidão!

Aqui está uma passagem de Zeroes para dar uma ideia de como a visão-trapaceira funciona:

Flicker estava nos olhos do recepcionista.
Os longos dedos dele estavam passando em uma tela touchpad, seu olhar flutuando entre os pedidos dos seus clientes chegando na próxima semana. O hotel estava ficando cheio, graças ao grande espetáculo de Quatro de Julho. Todos queriam um quarto com vista para o antigo Parker-Meridian Hotel, que estava agendado para demolição durante o show.
A cada minuto mais ou menos o recepcionista olhava para cima, escaneando o lobby de modo discreto e profissional. Perfeito para vigiar.
Flicker viu a si mesma em sua poltrona, seu vestido vermelho brilhante fácil de avistar. Mas enquanto ela dava um sorriso a si mesma, o olhar do recepcionista passou por ela e descansou em um homem grande passeando pelo chão do lobby.
O recepcionista observou. Era difícil não o fazer. O cara era tão grande quanto uma porta, todo ombros e coxas. Ele vestia uma camisa preta brilhante feita de seda o suficiente para um paraquedas. Cinco outros caras cruzaram o lobby com ele, uma formação de naves de guerra.
Um homem em um magnífico uniforme de funcionário surgiu e começou a falar com eles, e os olhos do recepcionista desceram novamente para a tela de seu computador.
Flicker enviou sua visão para os olhos do cara grande. Ela não podia ouvir nada do outro lado do salão, mas não parecia um confronto. Os dois estavam encolhidos próximos, os olhos do cara grande se movendo cautelosamente de canto a canto.
O funcionário do hotel, um homem pequeno com uma cabeça raspada, estendeu sua mão aberta vazia, e o cara grande colocou uma pilha de vinte nela. Em troca, o funcionário produziu um cartão do hotel e deslizou nos bolsos do peito da camisa do cara grande.
Isso estava ficando interessante. Flicker desdobrou sua bengala e levantou. (Tradução livre feita pelo Blog Scott Westerfeld Brasil)

O que eu mais gosto do trabalho de Jennie é que combina com ilustração com colagem. Como você pode ver aqui, o plano de fundo de Flicker é criado com fio e tinta aquarela. Então os personagens são meio que uma boneca de papel super produzida.

flickercollage

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