Capítulo Bônus de Goliath e Arte

24 jan

Em 2011, quando Golias foi lançado nos Estados Unidos, o Scott percebeu que os fãs dele ainda não estavam completamente satisfeitos com o fim da série. Em várias resenhas e comentários o fãs falavam que faltava uma ilustração que ainda gostariam de ver. Assim, ele pediu pro Keith Thompson, ilustrador da série, fazer essa última peça de arte, como um presente de Ação de Graças.

Então, ele vez uma votação no site dele sobre qual cena os fãs gostaria de ver, foram mais de 1.200 comentários sobre a arte. A arte foi tão empolgante e surpreende que ele ficou imaginando qual seria o contexto daquela imagem. Então, ele decidiu fazer uma espécie de fan fiction para lançar com ela. Só que acabou ficando grande demais (mais de 3.000 palavras em inglês), mais longa que a maioria dos capítulos da série.

Assim, surgiu o “último capítulo secreto” de Golias! Scott diz que “é realmente mais uma fan fic do que um capítulo a muito perdido. É cheio de fan service e travestis e todo tipo de shippers.” Ainda assim, ele declarou como oficialmente CANON, ou seja, é oficial! E realmente acontece no universo da série.

O capítulo foi postado originalmente no blog oficial do Scott Westerfeld (confira o capítulo em inglês também). E aproveite o capítulo aqui, traduzido pelo blog Scott Westerfeld Brasil.

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“Esta é uma situação improvável,” Alek disse.

“Uma das quais você só pode culpar a si mesmo.” Conde Volger reclinou no divã roxo do quarto de hotel, um meio sorriso em seu rosto. “Eu disse para não aceitar essa aposta.”

“Era uma questão de princípios.”

“Ah, jovem príncipe — ou ‘Sr. Hohenberg,’ se você insiste — você nunca aprenderá que não há princípios quando se trata de uma demostração de braços? Só força bruta.”

Alek virou do espelho para dar ao conde um olhar frio. “Uma demonstração de braços? Muito engraçado.” Ele suspirou. “Mas eu realmente não esperava que ela me vencesse.”

“Senhorita Sharp passou vários meses escalando pelas linhas de ratos. Não me surpreende os músculos, tenho certeza.”

Alek concordou, esfregando seu ainda dolorido bíceps. Certamente havia sido uma batalha. Uma demonstração de braços, de fato! Em um momento, ele e Deryn estavam tendo uma racionável discussão sobre méritos dos dois sexos — força, resistência, tolerância à dor — e então de repente ele disse algo imperdoável e Deryn o desafiou para um concurso de queda de braços.

Perder para ela não teria sido tão ruim — ela era Deryn Sharp, afinal — mas Alek foi e fez essa aposta idiota.

Se somente esta festa de Ano Novo não fosse traje à fantasia. O que era isso com os Britânicos e seu amor por fantasias? A equipe inteira da Sociedade Zoológica de Londres esteve falando há dias sobre o que iriam vestir. A maioria iria de bestas, é claro, ou grandes cientistas da história, ou personalidades da era moderna como políticos e clérigos. Outros iriam ficar com fantasias clássicas: anjos, demônios, gregos antigos, ou fadas da floresta.

Novos como eles eram para a Sociedade, ambos ele e Deryn estiveram ansiosos quanto ao que deveriam vestir. (E para Alek, francamente, a coisa toda de roupa à fantasia parecia um pouco comum, mesmo que ele tivesse renegado sua herança real.) Então um desafio de queda de braços tinha parecido um modo brilhante de resolver o problema de pelo menos um deles. Como Volger continua lembrando, os termos tinham sido inteiramente ideia de Alek.

Podia ter sido mais divertido, somente se ele não tivesse perdido. Então teria sido Deryn a usar um vestido e não ele. Ele tinha de admitir, grande parte da motivação em criar a posta tinha sido a sua própria curiosidade. Qual seria a aparência de Deryn em uma roupa apropriada para seu próprio gênero?

Não que ele se importasse de vê-la em uma jaqueta e calças todos os dias. Era parte do frisson do romance deles, que ele sabia algo sobre ela que só algumas poucas outras pessoas sabiam. Mas ainda assim, ele estava tão curioso quanto qualquer garoto estaria nesses circunstâncias.

“Esta anágua está no lugar certo?” ele perguntou.

Conde Volger bufou um pouco. “Só há um único lugar para uma anágua, Alek. E é esse.”

“Não parece…. desnecessariamente larga para você?”

“Uma pergunta que as mulheres têm feito há décadas, tenho certeza.”

“Não seja impertinente, Conde. Eu quis dizer, a anágua.” Alek endireitou os laços que positivamente cobriam o vestido. “E eu não estaria tão pronto para zombar os outros se estivesse vestido de lagarto mensageiro!”

Conde Volger fitou o focinho de lagarto de papel machê descansando ao lado dele no divã. Então, com um dar de ombros levantou a máscara e a colocou na cabeça. Foi pintado um marrom molhado com destaques verdes, combinando as cores de um lagarto mensageiro do Serviço Aéreo perfeitamente. A cara do Conde espiou para fora entre as mandíbulas da monstruosa cabeça-fantasia.

“Um deve sempre estar pronto para zombar, Seu Não-Mais-Serena Majestade.” Volger levantou sua taça, manobrando-a entre as mandíbulas e tomou um gole. “Do contrário, política se torna insuportável.”

Alek deu uma olhada atenta ao visconde. As bochechas dele estavam um pouco coradas, e a garrafa de champanhe ao lado do divã pareceu suspeitosamente reduzida.

“Você está bêbado, conde?”

Volger riu disso, e então tomou outro gole. “É véspera de Ano Novo, Sr. Hohenberg, e a fim de obter favores com organização mais misteriosa do mundo, eu sou fantasiado como a criatura mais inquietante da história da fabricação. Dado que estou prestes a me atirar em uma festa cheia de cientistas e agentes secretos, eu não me considero bêbado — meramente fortificado.”

“De fato.” Alek voltou para o espelho, imaginando o quanto mais fortificado Conde Volger estava planejando ficar esta noite.

Desde que Alek tinha se juntado à Sociedade Zoológica, o conde não sabia o que fazer consigo mesmo. A guerra estava acabando, o Kaiser percebendo que seus inimigos eram muito numerosos agora que os EUA tinham se juntado. Falava-se de uma conferência de paz nos primeiros meses de 1915, que iria acabar com a batalha entre o Darwinismo e Mekanistas para sempre, ou pelo menos reduzi-la de um banho de sangue à uma competição saudável de tecnologias.

Com nenhuma guerra para influenciar e nenhum jovem príncipe para elevar ao trono da Áustria-Hungria, dois propósitos na vida de Volger tinham repentinamente desaparecido. Os austríacos iriam se lembrar que ele tinha levado para longe seu jovem herdeiro, então ir para casa poderia ser complicado, e a Grã-Bretanha estava muito cheia de bichos sem Deus para ele ficar aqui.

E ainda…

“Obter favores?” Alek perguntando, pegando o guarda sol que Deryn tinha escolhido para ele. Combinava com a cor do vestido, pelo menos. “Por que você se importa com o que a Sociedade Zoológica pensa de você, dado o que você pensa deles?”

“Eu posso precisar da especialidade deles no futuro.” O conde soou um pouco mais sóbio agora. “Eu tenho um grande amor pela natureza, sabe, e um dia haverá uma briga entre criaturas naturais e aquelas fabricações que escaparam para a floresta. A Sociedade pode ser capaz de ajudar nisso.”

Alek levantou uma sobrancelha. Ele nunca tinha pensado em Volger como um preservacionista, dado que o homem tinha atirado em no mínimo duzentos veados com o pai de Alek, o arquiduque. É claro, havia existado vastos campos de vida selagem no coração da Europa quando Volger era um jovem homem colecionando troféus de caça. Não havia mais tanta vida selvagem restando.

“Eu ouvi falar disso acontecendo,” disse o Alek. “Papagaio sapos correndo soltos na Austrália e coisas assim, tagarelando naqueles sotaques engraçados. Parece inquietante.”

“Não tão inquietante quanto aqueles saltos,” Volger disse, a seriedade de um momento antes esquecida. “Mas uma aposta é uma aposta, Sr. Hohenberg.”

A festa de Véspera de Ano Novo da Sociedade Zoológica de Londres era no andar inferior ao quarto de Alek, no salão de bailes principal do Hotel Savoy. Alek ficou surpreso, e um pouco alarmado, ao ver quantas pessoas estavam comparecendo. Ele tinha presumido que a audiência para sua humilhação estaria limitada à membros da Sociedade propriamente ditos — uma dúzia de cientistas e talvez o dobro disso de treinadores de animais e cuidadores. Mas o grande salão de bailes estava quase cheio, com os patrocinadores da Sociedade, os apoiadores políticos, e agentes especiais como ele e Deryn todos comparecendo, junto com suas esposas, convidados e vários acompanhantes.

“Oh, deus,” Alek disse.

“De fato,” Volger murmurou através das mandíbulas da cabeça de lagarto. “Talvez você devesse ter vestido uma máscara.”

“Isso teria sido trapaça.” Alek pegou um fôlego fortificante, colocou seu guarda-sol no ombro como se ele fosse um rifle, então seguiu adiante até a multidão.

Ele se sentiu conspícuo e absurdo, e vacilante em seus sapatos de salto, mas de alguma forma o salão inteiro não pareceu estar a olhar para ele. De uma maneira estranha, seu traje era relativamente manso. Havia muitas criaturas fabricadas elaboradas por lá para um jovem em um vestido causar um rebuliço. O diretor envelhecido da Sociedade, Dr. Spencer, tinha todo um ascensor Huxley pairando sobre ele, derivado de algum tipo de malha pintada jogada por cima de uma nuvem de balões de brinquedo. O diretor assentiu com a cabeça para Alek e Volger e começou a vir em direção a eles, mas então percebeu que seu Huxley flutuante ficou preso em um candelabro. Vários assistentes se apressaram para ajudá-lo a desembaraçar a fantasia. Alek puxou o conde para uma apressada retirada, no caso dos balões estarem cheios de hidrogênio em vez de hélio.

Ele escaneou a multidão por Deryn. Era melhor acabar com a revelação da fantasia dele o mais rápido possível. Ele se perguntou o que ela teria escolhido vestir, e esperava que não incluísse uma máscara. O pensamento dela vê-lo vestido assim era irritante o suficiente, sem ela espiar ele do outro lado do salão e rir para si mesma.

“Alek?” veio uma voz da multidão. “Bons céus, esse é o conde com você?”

Alek virou e se curvou. “Bons céus, de fato, Dra. Barlow.”

A dama cientista estava vestida como um anjo vingador, com largas asas com penas e uma espada de madeira pintada de prata. Ela parecia adequadamente aterrorizante. Tazza, como sempre ao lado dela, tinha uma auréola de alumínio na cabeça.

Dra. Barlow olhou Alek de cima a baixo. “Talvez uma reverência teria sido mais apropriada.”

“Infelizmente, meu mestre de esgrima nunca foi tão gentil para me ensinar.”

“Tenho certeza que Sr. Sharp poderia ajudar.”

O loris no ombro dela, que estava vestido como querubim, deu uma risada e disse, “Senhor Sharp.”

Alek deu a ambos um olhar duro. Dra. Barlow era a única outra integrante da Sociedade Zoológica que sabia o segredo de Deryn. Pareceu insensato ela insinuar isso, mesmo que sutilmente, em uma sala cheia de colegas deles.

“Eu devo pensar que não,” Volger disse. “Sr. Sharp é másculo demais para saber tais coisas.”

Os olhos da Dra. Barlow se arregalaram. “O lagarto fala!”

“O lagarto somente repente o que lhe é dito,” Volger disse, tapando seus ouvidos. Ele estendeu sua mão. “Importaria-se em dançar, doutora?”

“É claro. Tão raramente se tem uma oportunidade de dançar com um réptil.” Ela acenou para Alek. “Boa noite, Sr. Hohenberg.”

Os dois foram rodando em direção a pista de dança, Tazza seguiu atrás deles depois que Alek deu-lhe uma tapinha na cabeça.

Agora, onde estava Deryn? Ela sempre tinha chegado cedo a qualquer festa antes no Leviatã. Sem dúvida que ela estava escondida atrás de uma máscara em algum lugar, assistindo Alek girar seu guarda sol e desfilar em saltos altos.

Enquanto Alek escaneava a multidão, uma aparição estranha apareceu na frente dele. Tinha uma cabeça tipo de pássaro e uma pele amarela peluda e imensas garras tipo de gato.

“É você, Dylan?” ele perguntou.

“Eu não sou porteiro,” a cabeça de bico disse em uma voz familiar, e então as mãos com garras alcançaram e levantaram a máscara. “Eu sou um poderoso grifom.”

Alek deu um involuntário passo para trás. De baixo da cabeça de águia, estava Adela Rogers, uma jovem repórter americana que tinha se juntado à jornada do Leviatã na Califórnia. Mas o que ela estava fazendo em Londres, e o que qualquer repórter estava fazendo em uma festa privada da Sociedade? Especialmente uma em que Alek acontecia de estar usando um vestido.

Pelo menos, ela não era uma daqueles repórteres que sempre carregavam uma câmera, como o intolerável Eddie Malone.

“Eu confio que você me reconhece agora, Príncipe Aleksandar.”

“De fato, Senhorita Rogers. Embora temo que eu não seja mais um príncipe.”

“Ah, é claro. Sr. Hohenberg, não é?”

“Ao seu serviço.” Alek tentou uma reverência, mas falhou completamente.

A repórter sorriu. “Não muito um senhor esta noite, eu vejo.”

Alak deu de ombros. “Uma festa à fantasia tem suas porções de indignidades, eu suponho. Mas agora que não sou mais da realeza, talvez uma pouco de humildade está em ordem.”

“Oh, eu não diria que esse vestido é humilhante, Sr. Hohenberg. Pelo contrário, é bem lisonjeiro.”

“Obrigado.” Alek se curvou desta vez. Pareceu mais natural, mesmo com uma anágua como um contrapeso conspícuo para a manobra.

Por um momento, ele se perguntou de todo os ajustes, pequenos e grandes, que Deryn deve ter feito a fim prosseguir com sua farsa. A maneira que ela andou, falou e se posicionou, juntamente com todas as nuances sociais, tudo isso tinha que ser considerado cada segundo de cada dia. Foi incrível ter obtido sucesso em algo tão difícil, com apenas seu irmão Jaspert e suas próprias observações da humanidade para guiá-la.

Deryn era bastante surpreendente, realmente, e totalmente merecedora de que se jogasse fora um império por ela.

“Mas se você me permitir perguntar.” Senhorita Rogers produziu um bloco de notas. “Quem exatamente você deveria ser?”

“Ah.” Alek engoliu. Após a agonia de sua derrota de queda de braços e no meio de todos os preparativos de encontrar um vestido para usar, ele tinha falhado em levar a questão de sua fantasia adiante. Ele dificilmente podia dizer a esta repórter que ele tinha perdido uma aposta, e o pensamento de que ela escreveria no jornal dela que ela tinha comparecido a uma festa vestido simplesmente como uma mulher era de alguma forma preocupante.

Ele revirou sua mente por uma resposta, e nenhuma veio.

“Estou vestido como uma das grandes cientistas Mekanistas do século passado,” ele disse. “Ada, Condessa de Lovelace.”

Senhorita Rogers pareceu perplexa por um momento. “Não tenho certeza de que me lembro desta condessa. Ela era uma cientista Mekanista, você diz? Mas o nome parece muito Inglês.”

“Ela era. E ainda assim o trabalho dela está no centro de cada motor mecânico-analítico. O sistema de equilíbrio de meu próprio Stormwalker, por exemplo.” Enquanto ele disse as palavras, as mãos de Alek se fecharam em passeadores imaginários. Fazia realmente muito tempo desde que tinha pilotado um andador. Ele esperava que sua primeira missão com Deryn pela Sociedade fosse em uma nação Mekanista, onde ele poderia ter uma chance de fazer isso.

“Entendo.” O lápis de senhorita Rogers’ estava rascunhando. “Como você, ela era capaz de atravessar linhas de batalha. Um assunto da rainha, mas uma Mekanista. Uma mulher, mas uma cientista.”

Alek se curvou, aliviado de ter encontrado uma escolha tão apta. “Assim como eu nasci na realeza e um Mekanista, e ainda assim permaneço na sua frente como um comum Darwinista.”

Ela sorriu. “E um garoto em um vestido. Acho que estou finalmente começando a entender você, Sr. Hohenberg.”

“O que você quer dizer?”

“Bem, você deve saber que muitos estão perplexos pela sua escolha de empregadores.” Ela olhou pela sala, para todos as fantasias de bestas, grotescas e monstruosidades. “Parece um passatempo estranho pelo qual trocar um império. Na verdade, é por isso que estou aqui em Londres. Para fazer um acompanhamento.”

Alek levantou uma sobrancelha. “Você quis dizer, para me espionar.”

“Você pode dizer isso,” Senhorita Rogers disse com outro sorriso. “Parecia para mim que está faltando alguma coisa na estória do Príncipe Aleksandar de Hohenberg, que trocou sua coroa por um posto de guarda de zoológico. Com certeza há mais alguma coisa que você não está nos contando sobre a Sociedade. Ou talvez sobre si mesmo?”

Alek deu de ombros e girou seu guarda sol.

“Eu devo ficar observando você, Sr. Hohenberg.”

“Será meu prazer ser observado, tenho certeza,” Alek disse, curvando-se de novo. “Mas se você me der licença.”

Ele seguiu para a multidão sem esperar por uma resposta, porque perto de uma escultura de gelo gigante de Charles Darwin domando um tigresco lupino, ele tinha visto uma cabeça loura boiando por cima das massas fantasiadas. Definitivamente era Deryn, e ela não estava usando uma máscara.

É claro, Deryn usava uma máscara todos os dias, seu disfarce como um garoto era constante em sua vida. Pelos todos direitos, ela deveria poder aparecer em uma festa à fantasia em nada mais do que suas comuns calças e jaqueta.

É claro que tomar uma posição com tal comportamento estragaria seu segredo.

Alek empurrou seu caminho pelo meio da multidão, deixando de lado um Jack Saltitante, uma figura do folcore inglês, e um Ned Kelly de cabeça-de-ferro, o famoso bandido de Outback. O cabelo loiro de Deryn surgiu à frente dele novamente, mas ela estava se afastando. Ela o tinha visto ele chegando e decidiu levá-lo a uma perseguição?

Finalmente, porém, a multidão se separou e ele ficou rosto a rosto com Deryn Sharp. Alek congelou quando viu a fantasia dela, um olhar de espanto se espalhou pelo rosto dele.

“Mas eu…,” he gaguejou. “Você ganhou o desafio, não eu.”

“Aye, é claro que ganhei.” Ela fez um músculo com seus bíceps. “Mas nós nunca dissemos que o vencedor não podia usar o que eles queriam. E nós reconhecemos que você se sentiria menos estranho se você não fosse o único rapaz em vestido.”

Alek a olhou de cima a baixo. Deryn estava em um tipo de vestido noturno que jovens mulheres elegantes da cidade usavam, com uma costa de franjas e um cinto alto em sua cintura. Longos colares com miçangas foram drapejados em torno de seu pescoço, enfiados em seu cinto ou suspensos até suas coxas. Empoleirado na cabeça dela estava um chapéu justo, uma longa pena de pavão fabricada quase em linha reta na parte de trás.

Alek olhou para seu próprio vestido, tão formal e fora de moda com seus laços cheios e anáguas. Ele de repente se sentiu desleixado, enquanto Deryn estava positivamente estilosa. O cabelo curto dela e sua figura fina, o centro de seu disfarce como aspirante não pareciam mais nenhum pouco masculinos.

Ele se perguntava se alguma vez haveria um momento em que as mulheres usariam cabelos tão curtos. Certamente tal coisa jamais aconteceria, mas ele tinha que admitir que parecia bastante requisitado.

Então ele percebeu o que Deryn tinha dito. “‘Nós’?”

“Aye, nós dois.” Ela estalou seus dedos, e Bovril saiu balançando de debaixo da mesa da escultura de gelo.

Os olhos de Alek ficaram maiores. O loris perspicaz estava em uma fantasia também, em um vestino negro que parecia distintamente francês. De fato, a criatura lembrava uma pequena boneca de porcelana Pierrot.

Bovril olhou para cima até Alek, então disse com uma risada, “Rapaz em um vestido.”

Deryn balançou sua cabeça. “Francamente, Alek, eu pensei que você viria com algo um pouco mais atual.”

“Você escolheu o guarda sol.” Alek o girou. “Eu tive que encontrar um vestido que combinasse!”

“Aye, mas você não está tão requisitado quanto eu esperava.” Ela dosou algumas vezes. “Ainda assim, é bom te ver em alguma coisa além de sua antiga roupa de Mekanista. Você realmente deveria se vestir em roupas novas, agora que você não é um gritante príncipe.”

Alek levou uma sobrancelha. “Quer dizer que você teria ficado feliz com uma jaqueta nova? Você deveria ter dito.”

“Aye. Qualquer coisa que não pareça com um velho uniforme de cavalaria!”

Alek suspirou. Desde de que renunciou ao trono, ele não tinha dinheiro do qual falar, só a pequena renda que a Sociedade provia. Ele duvidava que seu tio-avô, o Imperado, enviaria para ele uma mesada em algum momento em breve. Então tudo que ele tinha para vestir era seus uniformes da Guarda Hapsburg e a roupa formal que o Sr. Hearst tinha providenciado para ele. E, é claro, algumas coisas que ele tinha comprado em Istambul, as quais dificilmente eram adequadas para Londres. O vestido que ele tinha agora tinha sido provido pela esposa de um cientista da Sociedade, e não a mais jovem ou mais na moda.

“Eu devo dizer que você parece deslumbrante, porém,” ele ofereceu com uma reverência.

“Aye. Não é tão ruim quanto eu me lembro, ser enfiada em um vestido.” Deryn estendeu o braço dela. “Devemos ir?”

Alek se ajoelhou e estalou para Bovril, que pulou para seu alcance.

“É claro. Mas para onde?”

“Há um pequeno vestiário para o lado, onde alguns dos cientistas deixaram suas roupas normais. Está trancado, mas eu tenho a única chave.” Deryn olhou para ele de cima a baixo outra vez. “E uma garrafa de champanhe, se você não é muito uma dama para beber sozinho com um ex-marinheiro do céu.”

“Eu te garanto, Sr. Sharp,” Alek disse. “Eu não tenho nenhuma preocupação sobre suas intenções.”

“Isso é bom de se ouvir, Sr. Hohenberg. Por minhas intenções estão claras em si mesmas.” E então ela estava levando-o para longe da multidão de monstros, bestas e aberrações, em direção a algum lugar privado e seguro. Um lugar que não importava quem estava vestindo o quê.

Bovril, montado em seu ombro, riu mais uma vez

Senhor Hohenberg,” a criatura disse.

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