TRAD – Entrevista do Scott Westerfeld no Goodreads

21 set

Nós sabemos mais do que ninguém que o mundo de YA se tornou muito abrangente – existem conferencias de YA, blogueiros, vlogueiros, encontros, grupos, e vários outros modos de participar todo mundo YA além de ler e escrever. O que significa que é uma ótima hora para se ter um livro de YA sobre – o que mais? – YA! Scott Westerfeld é mais conhecido pela Série Feios, o que alfineta nossas obsessões sociais com aparência e fama. Com Afterworlds, ele escreveu um fascinante livro-dentro-de-um-livro, situado no mundo de Nova York dos escritores de YA. Ele segue a escritora estreante Darcy Patel, que pula a universidade quando vende os direitos de publicação do seu livro.

Scott responde suas perguntas sobre seus rituais de escrita, oferece dicas de NaNoWriMo, e fala um pouco sobre a história de fundo de um de seus personagens favoritos de Feios, Zane!

Aurora: Em Afterworlds, Darcy Patel se muda para New York e conhece um grupo de escritores de YA. Como autor, você passou pelas mesmas experiências que a autora no seu novo livro?

Sou de uma geração de YA anterior à Darcy, então minhas experiências foram diferentes. Dez anos atrás, a comunidade de YA em Nova York era mais informal, voltada para grupos de escrita em lojas de café, ou mesmo para dias mais intensivos , quartos de hotel. (Assista a um vídeo de um sessão de escrita em 2006, feita por John Green!) Mas agora existem vários eventos mensais em Nova York com suas próprias listas principais, etc., o que evoluiu enquanto YA cresci em extensão e visibilidade. Esse é o cenário ao qual Darcy é introduzida, o que provavelmente é muito intimidante para um recém chegado. Eu às vezes me pergunto o que nós veteranos parecemos quando novas pessoas surgem, e Afterworlds é parcialmente uma resposta a essa curiosidade.

Mas para responder de modo mais geral, 90 porcento das experiências de Darcy em publicar são coisas que eu vi por mim mesmo ou os meus amigos me contaram. Então, sim, essas coisas são bem reais, e as cenas mais revoltantes e improváveis na estória de Darcy são realistas. (Vocês sabem quem são.)

Maria Lidia: Como foi o processo de escrever Afterworlds? Já que são duas histórias em um livro, alternar entre os mundos foi difícil de se fazer? Você escreveu as duas histórias simultaneamente?

Vários leitores também se perguntam, você escolheu os nomes Darcy e Lizzie em referência a Orgulho e Preconceito?

Eu decidi escrever ambos simultaneamente, porque Darcy está reescrevendo o seu livro enquanto vive a vida dela. A grande metáfora do livro, eu suponho, é que crescer e como se reescrever. Somos todos feitos de rascunhos.

Às vezes, porém, uma história ficava na frente da outra, porque eu estava me divertindo muito com ela. Esse era um sinal para eu voltar, porque eu queria que as duas histórias conversassem uma com a outra o máximo possível. O que Darcy vê na vida real sempre transborda paraa o romance dela, seja em forma de cenário, de reconhecimento do amor verdadeiro, ou apenas uma palavra nova.

De um modo esse livro é minha resposta de 150.000 palavras para a pergunta “De onde você tira suas ideias?”

Grande parte deAfterworlds é sobre os nomes: nomes de personagens, nomes de registro, nomes que nossos pais nos dão, e o poder de conto de fadas de nomear. Uma parte desse conceito é que Darcy (inconscientemente) se conectou à sua própria personagem principal, chamando ela de Lizzie. Quando Darcy percebe isso, ela se pergunta, “Eu devo consertar isso, mas devo mudar o nome da minha própria personagem ou o meu?” Nós, autores, podemos nos dar novos nomes, afinal.

Essa coisa do nome também é sobre a resposta de Darcy com a mãe dela, uma leitora anual de Orgulho e Preconceito que deu o nome da filha por causa do personagem, assim como o romance de Darcy ficciona um evento traumático na infância da mãe dela. Porque parece que jogo justo, e nós autores sempre conseguimos nossa vingança no papel.

Jessica: Scott Westerfeld, você é um dos meus autores favoritos, e sua Trilogia Midnighters me levou a conhecer pessoas incríveis que eu chamo de amigos hoje! Estou muito animada com Afterworlds porque sua personagem principal escreveu seu romance durante NaNoWriMo(Mês de Escrita de Romances Nacionais).  Qual seu conselho para os participantes de NaNoWriMo que esperam seus primeiros rascunhos movidos a café?

Regra Um: Termine. Toda vez que você não termina algum coisa, você fica melhor em começos, meios mas perde a oportunidade de melhorar em finais.

Regra Dois: Terminar não significa apenas chegar ao fim; significa reescrever até que o livro seja real. Talvez não perfeito ou publicável mas algo que se sustenta.

Romances são realmente grandes, e você não pode ficar bom neles até que você tenha passado por todo o processo ao menos uma vez. Transformar seu primeiro rascunho em rascunho final é a forma mais útil de exercício que você pode tirar do NaNo.

Regra Três: café.

 “Aqui nós em 2006, em um quarto de hotel adquirido para um emergência de um dia de escrita intensivo (como mencionado em minha primeira resposta).” Da esquerda, sentido horário: Lauren McLaughlin, Maureen Johnson, John Green, e eu. Foto: Justine Larbalestier.

Miranda: Qual sua melhor técnica de escrita? Você tem um ritual de escrita toda vez que começa a escrever um livro novo?

O melhor ritual é ritual. Eu escrevo na mesma cadeira, na mesma hora todo dia, após a mesma quantidade de café. Isso diz ao meu corpo e cérebro que é Hora de Escrever e que não tem como fugir. Você tem que encontrar seus próprios rituais, é claro, mas de alguma forma os detalhes não importam, contanto você esteja criando gatilhos de escrita e não gatilhos de procrastinação.

O que você estabelecer como padrão com cenário, música, hora ou encantos mágicos, deixe o hábito ser seu aliado.

Kristen: Como uma leitora mulher dos seus livros, acho profundamente interessante que você escolha escrever romances da perspectiva de uma personagem feminina enquanto você é um autor masculino. Me pegunto o que influenciou você primeiro a escrever de uma “perspectiva feminina” e se você tem mulheres fortes na sua vida nas quais você se inspira.

Sou o mais novo de três e o único menino, então é verdade que minhas irmãs fizeram várias coisas legais que eu me admirava. Então qunado eu vejo narrativas com nenhuma mulher nela, parece que alguma coisa está faltando. (E eu me sentiria um escrito muito ruim se eu só conseguisse escrever da perspectiva do me próprio gênero.)

Sm: Como um escritor que atualmente está na autoescolar aprendendo a concertar carros, estava me perguntando que outros trabalhos você faz além de escrever e/ou ghostwriting (escrever por alguém), e quais são seus favoritos e menos favoritos?

Meu trabalho favorito sem-escrever foi projetar um software educacional, o que pode ficar claro para os leitores de Vampiros em Nova York, Midnighters, Feios, e Leviatã, com todas aqueles explicações sobre parasitas, matemática, magnetismo e aerodinâmica. Eu sempre pensei que escrever ficção e ciência tem muito em comum porque ambos são a respeito de modelar a realidade.

Eu também gosto de explicar coisas, porque coisas são legais.

Meu trabalho menos favorito foi trabalhar em um fábrica de soldadinhos de chumbo, da qual eu fui demitido por dolorosa incompetência após alguns meses, porém me salvando de terríveis doenças que provavelmente entrariam em ação agora. A incompetência de um escritos em todo o resto é sempre uma bênção.

Yashvi: Qual sua opinião a respeito da campanha #WeNeedDiverseBooks (#PrecisamosDeLivosDiversos)? A Campanha #WeNeedDiverseBooks é uma campanha que começou nas redes sociais durante uma troca entre escritores Ellen Oh e Malinda Lo, seguindo o anúncio do painel de autores de livros infantis da BookCon 2014, que consistiu em apenas autores masculinos. A campanha pede por livros com protagonistas mais diversos e mais livros escritos por autores de diversas origens. A tentativa desta campanha é promover representação igualitária de pessoas de todas as raças, religiões, gêneros, capacidades e orientações sexuais nas literaturas YA e infantis.

Me deixa perplexo quantas pessoas escrevem livros onde todos tem a mesma origem – classe média, branco, hétero, etc. É como escrever um livro em um mundo sempre coincidências, acidentes e cores. POR QUE VOCÊ FARIA ISSO? Isso reduz o drama e conflitos e variedade de narrativas possíveis de pontos de vista. E sério, toda a magia dos livros é nos mostrar o mundo através dos olhos de outra pessoa. Experienciar o Outro é o objetivo dos romances.

Sim, falta de representação tem um custo social péssimo. Marginaliza algumas pessoas e deixa outras sem noção que eles não são o centro do universo, não ajudando ninguém. Mas também tem um custo artístico em deixar todos seus heróis virem do mesmo molde.

Lembre-se, abraçar a diversidade é como fazer pesquisa. Não é apenas fazer as coisas direito; e sim, torná-las MAIORES. Enquanto planejava Afterworlds, comecei a ler bastante sobre psychopomps (mitologia paranormal) e percebi que as primeiras histórias Hindus de Yama eram maravilhosamente perto do modo que eu queria representar o “pós-mundo”. Então fez muito sentido fazer minha personagem novelista um garota de uma família Hindu. Tornou a jornada da Darcy muito mais rica, porque de repente a construção de mundo dela era sobre algo que ela tinah herdado – ou talvez não tinha – como uma descrente. E mais uma centena de conflitos surgiram. (Diversidade = mais roteiro, mais coisas. Coisas são legais.)

Porque alguns escritos evitam tudo isso e dão um tiro no pé? Eu não sei. “Não seja chato e preguiçoso e o mesmo que todo mundo” parece um conselho muito obvio pra mim.

 “O instrumento mais importante para um escrito é um desktop organizado. Aqui está o meu.” Foto: Comando-shift-3.
 
O personagem que inspirou mais perguntas foi Zane da Série Feios. Alguns se alegraram da morte dele; outros ainda estão se lamentando. Pode nos dar algumas ideias sobre o personagem e algumas das razões para o destino dele?

Como eu cheguei quase no fim da Trilogia Feios, percebi que estava escrevendo sobre uma guerra entre a cidade de Tally e Diego. Eu não queria escrever sobre uma guerra sem mostrar o custo verdadeiro, absoluto e pessoal que são as guerras exatamente. Todos são os herois de seus próprios romances,então uma estória de guerra na qual só os personagens periféricos morrem é uma trapaça e farsa. Muitos filmes, shows de TV e livros fazem guerra parecer um videogame. Então algo ruim tinha que doer realmente, e Zane foi a pessoa cuja a morte mais machucaria a Tally naquela época.

Além disso, as lágrimas dos meus leitores me deixam jovem. (Fala roubada de Cassie Clare.)

Anika: Em Extras, Aya e aqueles próximos a ela são julgados pelo “rosto” deles e popularidade na sociedade. Eu sempre amei  premissa porque é um pensamento muito à frente. Como você responderia ao quanto as redes sociais cresceram para dar às pessoas influência – poder, dinheiro, até oportunidades de emprego – baseado em quantos seguidores ou visualizações eles têm? Você quis dar um aviso contra esse tipo de sociedade ou você aceita que em alguns graus é um sistema justo? (Estou me referindo a sites como KLOUT que rastreiam o uso de redes sociais das pessoas. Eu li artigos sobre pessoas que não foram contratadas porque o KLOUT delas era muito baixo.)

Reputação sempre teve um papel importante na sociedade humana. Mesmo em 2006, quando eu escrevia Extras, estava muito óbvio que reputação seria feito tecnologicamente, reduzida a um conjunto de pontos que poderia ser usados de várias maneiras. Twitter foi lançados mais ou menos na época em que comecei meu romance, mas na verdade os rankings da Amazon que me inspiraram. Eu via autores atualizando a página dos livros deles a cada alguns minutos, tentando ler suas pontuações como folhas de chá. (Não que eu alguma vez fizesse isso. Não, não eu.) Expandindo esse cenário de práticas e ansiedades a cada interação social apenas parecia uma ideia óbvia com muito potencial de narrativa.

Mas como Feios e cirurgia plástica, Extras na verdade não é algum alerta emotivo sobre o que estar por vir com sistemas de rankings sociais. É uma sátira misturada com um reconhecimento do que já está acontecendo e uma exploração de como o ser humano reage no sistema.

Por isso eu escrevo ficção científica: tecnologia + pessoas = drama.

Mhairi: Se você fosse criar um mundo perfeito, seria ou não parecidos com o que você escreveu sobre seus livros e por quê?

Eu não quero um mundo perfeito. Eu apenas quero um hoverboard (pranchas voadoras), alguns dirigíveis aéreo, e sair com meus amigos e conversar sobre escrever. É por isso que escrevo esses livros.

Esta é uma tradução não oficial. Confira e entrevista original em inglês aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: