12.09.13 – Os Adolescentes e as Distopias

13 set

Desculpe, tenho postado menos. Doença é uma droga. Mas por favor, aproveite este ensaio que escrevi para o BookForum Edição Distopia lá no verão de 2010. Algumas coisas nele está fora de época, obviamente, mas a ideia básica parece bem a mesma para mim.

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Os Adolescentes e as Distopias

Distopias literárias surgem nos extremos do controle social; a tirania excessiva do governo, o caos de tão pouco. Cada 1984 ou Fahrenheit 451 é balanceado por um Mad Max ou A Laranja Mecânica. Ou para simplificar, a literatura distópica é como um ensino médio: uma oscilação entre extremos de restrição.

Adolescentes, é claro, leem romances distópicos em vasto número. (Conformo escrevo, a distopia pós-apocalíptica ditatória de Suzanne Collins, Jogos Vorazes, chegou à octogésima primeira semana no topo da lista do NY Times.) Isso não deveria surpreender ninguém. Dentro das paredes das escolas, os estudantes tem as expectativas de privacidade reduzidas por uma lei (New Kersey v. TLO, 1980), nenhuma liberdade de impressa (Hazelwood v. Kuhlmeier, 1983), e suas realidades diárias incluem restrições de vestimenta, levantar e sente ao comando de campainhas, e um crescente montante de vigilância eletrônica. Mas alguns passos distante dessas submissões estilo 1984, os mundo juvenil se torna Mad Max — tribos guerreiras, direção perigosa e cortes de cabelos infelizes.

A vida dos adolescentes são definidas por regras, e em resposta eles constroem suas identidades através de confrontos com a autoridade, grandes ou pequenos. Tudo isso os deixa altamente interessados em temas de controle.

Quando sentei para escrever a Série Feios em 2003, não pretendia abordar esses assuntos diretamente. Pensei que estava escrevendo uma trilogia de ficção científica um pouco nostálgica sobre a imagem corporal e pranchas. Mas algumas milhões de cópias e rigorosamente dez mil cartas de fãs via correio mais tarde, senti-me qualificado para fazer sobre jovens e distopias.

Primeiro, uma rápida sinopse: Feios está situado três séculos após uma “crise de petróleo” destruir a economia atual e tudo exceto nossa espécie foi apagado. Os descendentes dos sobreviventes moram em cidades estados isoladas, utopias ambíguas onde os cidadãos aproveitam tecnologias pós-escassez e controle rígido do governo. O título deriva dessa nova tradição da sociedade, na qual adolescentes “feios” passam por uma cirurgia plástica de corpo inteiro para se tornarem “perfeitos,” simultaneamente adultos e belos. (E sim, há um episódio de Twilight Zone com essa parte, e aproximadamente duas dúzias de romances e pequenas histórias também. Como eu disse, essa série era para ser nostálgica.)

A protagonista da trilogia, Tally Youngblood, é mais notável por sua mudança de identidade. Por voltas ela toma o papel de vândala, informante do governo, errante, foragida, prisoneira, hedonista, agente da lei, auto-mutiladora, e revolucionária até o pescoço. Sua personalidade é reprogramada várias vezes, suas memórias frequentemente apagadas, sua lealdade sempre suspeitada.

E mesmo assim, a frase mais comum em meu correio de fãs é simplesmente, “Eu sou Tally.”

Acho que é porque os jovens reconhecem todos os papéis que Tally assume. Esquizofrenia, vira-casaca, e até traidora (tantos de aliados quanto de si mesma) são respostas naturais à ser balançada entre extremos de controle.

Durante a turnê do meu último livro no Reino Unido, a grande história de tabloid era uma avó que foi barrada nos brinquedos de um shopping por usar um moletom. O gerente timidamente explicou que era apenas uma política, e claramente não tinha como alvo avós. Não precisaram dizer quem era o alvo. Afinal, cinco criancinhas em uma loja é fofo. Cinco adultos, bons negócios. Mas cinco jovens reunidos, é hora de criar uma regra arbitrária, ou melhor ainda instalar um aparelho de som com alta frequência para levá-los até a saída.

O que quer que os adolescentes façam — quer seja moletom preto, rap, mensagem de texto, compartilhamento de arquivos, pranchas, ou namorados vampiros ficcionais — é logo decretado como ameaça à civilização. E confie em mim, adolescentes percebem esse discurso adulto acontecendo ao redor deles. Eles sabem que vivem em território ocupado.

Eles também percebem que esses pânicos sociais e excesso de controle pouco os protegem dos problemas de verdade. Censurar o bilhete na escola (ou a atualização na internet) não protege ninguém do bullying, ou a agonizar por causa de cada imperfeição física, ou de predadores sexuais (que exageradamente sai não da internet mas das próprias famílias dos adolescentes). Como o mundo de Tally, o nosso está primariamente preocupado com as aparências, fazendo cirurgias plásticas por doenças graves. Sendo relativamente novos, os adolescentes veem através desse esquema melhor do que os mais velhos, mas ao mesmo tempo possuí menos habilidades e recursos para escapar de seu poder.

Então eles terminam com o pior da ambos mundos — governo demais e não o suficiente. É alguma surpresa, então, que os romances distópicos apelam aos jovens, como o vandalismo, cutting, carros velozes, mudança de identidades, cortes de cabelos infelizes, e moletons pretos? Da próxima vez que você ler uma distopia que força credibilidade, apenas pense no ensino médio, e não parecerá tão longe de se chegar.

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Esse é o fim do ensaio. Espero que tenham gostado.

E, ei, você quer ajudar a promover cópias didáticas de Feios à calouros do ensino médio no Bronx? Apenas clique aqui e descubra como. (Mesmo se você não tiver dinheiro, votar nele ou “curtir” o projeto ajuda também!)

Oh, e Keith fez uma ilustração para o ensaio também. Veja só!

(Tally Especial)

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