TRAD – Entrevista com Scott Westerfeld e Devin Grayson

27 ago

Por GirlsReadComics.com, em 21 de Agosto de 2011

Nas semanas desde a ComicCon de San Diego, tenho estado à par de todas as notícias sobre isso. É claro que houveram coisas que perdi na época, e uma dessas coisas (e não tenho ideia de como fiz) foi a notícia de que havia um mangá baseado nos livros da Série Feios do Scott Westerfeld vindo por aí.

Se você não conhece Feios e os livros da sequência, eles são uma série de infanto-juvenil situado num futuro distópico onde jovens passam por um processo cirúrgico cosmético para se tonar ‘perfeitos’. Feios é o primeiro, contado da perspectiva de Tally, uma garota que está prestes a se submeter à este processo. As coisas não acontecem como ela esperava, e o modo que o livro lida com a imagem corporal, auto-estima, amizade e a pressão social são fascinantes.

No mangá, a história será contada de outra perspectiva. Shay, uma amiga de Tally e a causa de grande parte do azar de Tally irá pode compartilhar sua história. Sabendo que veremos o lado de Shay e ver a partir do já bem-desenvolvido mundo expandido é realmente animador.

Juntando-se a Scott neste projeto está Devin Grayson como escritor, Steven Cummings na arte e Yishan Li na tonificação e letras. Eu perguntei para Scott e David se eles responderiam algumas perguntas para nós aqui da GRCT e eles ficaram muito felizes em fazê-lo.

Por que você quis contá-la de novo por um meio diferente?

Scott: Eu sempre quis recontar a história de Feios do ponto de vista de Shay. Como melhor amiga de Tally, ela fica mal compreendida nos livros, e às vezes pelos fãs também. Na verdade, eu frequentemente peço para o público nas livrarias para imaginar como as ações de Tally devem ter parecido da perspectiva de Shay, apenas para fazê-los pensar. Nós nos aliamos com o narrador dos livros demais às vezes, o que é de certa forma apenas uma extensão do nosso próprio egocentrismo. Pensei que vendo os mesmos eventos de outro ego, um que é frequentemente contrário a Tally, seria útil e interessante.

Mas  escrevendo “Shay’s Story” [História de Shay] (o título do mangá, de fato) como um quinto livro à série apenas pareceu um pouco redundante. Então pensei que um formato gráfico seria divertido.

Por que você escolheu mangá?

Scott: Uma visualização realística dos personagens poderia fazer com que os leitores dissessem “Mas ela não é TÃO bonita,” o que iria enfraquecer o objetivo dos livros. Mas mangá tem um monte de códigos e métodos para indicar a beleza — olhos grandes e narizes finos por exemplo. Então podemos entregar a beleza por decreto, como for.

Além disso, sou mesmo um grande leitor de mangá, e quis ver as cenas de ação adaptadas nesse estilo, com pranchas voadoras quebrando do mangá tem quadros mais fluídos e maiores manchas de velocidade.

Que aspectos da história vocês dois gostariam de ver expandido no mangá?

Scott: Vendo isso tudo da perspectiva de Shay significa mover o começo da história alguns meses mais cedo. Como leitores podem lembrar, Shay já conhecia David e a Fumaça quando ela e Tally se conheceram, tendo tentado fugir bem antes do livro começar. Ela conhecia Zane (que não aparece até o segundo livro) na época também. Entao será divertido voltar e mostrar essa parte do passado da história, quando os Crims (e Zane ) eram feios. Também será divertido revelar o verdadeiro motivo da tentativa de fuga anterior ter falhado…

[De qualquer forma, quem liga se os expetores perceberem que não estou aqui…]

[Contanto que não descubram para onde estou indo?]

[Eles tentam assustar você com história sobre Circunstâncias Especiais.]

[Não faço ideia do que acontece quando eles pegam você em Nova Perfeição.]

[Adiam a data da sua cirurgia, talvez?]

Haverá alguma relação entre o mangá e o filme, ou eles são projetos separados?

Scott: Eles são completamente separados. O filmes irá permanecer na perspectiva de Tally. Mas nunca dói visualizar as coisas por Hollywood.

Scott, o que te atraiu à Devin como um escritora?

Scott: Ela criou uma amável e tocante mini série para a Vertigo chamada USER. Tinha alguns dos mesmo temas de corpo dismórfico (embora uma versão online) e lidava com  o grande tema final de identidade que é tão importante em Feios. Foi a chave para eu pegar alguém que pudesse dar aos personagens grandes curvas emocionais, que é sobre o que fala Feios. E o trabalho de Devin em Nightwing me reassegurou de que as cenas de ação iriam ser incríveis também.

Devin, o que te atraiu à história?

Devin: Feios é uma série bem irresistível! Eu realmente apreciou a natureza alegórica da briga em que as personagens se encontram e todas as grandes perguntas crescem; o que significa ser bonito? O que significa estar a salvo? O que significa ser livre? O que significa ser um cidadão, um amigo, um indivíduo? Mas a escrita de Scott também te empurra para bem além da reflexão filosófica – esses personagens são tão vivos e verdadeiros, é impossível não se importar com eles! Eu fiquei particularmente atraída à personagem de Shay – talvez porque eu sempre tenho um olhar gentil sobre amigos dos principais – então eu fiquei ainda mais animada quando eu soube que as histórias seriam contadas a partir do ponto de vista dela. Realmente adiciona uma nova dimensão de profundidade à série original e complementa seu embelezamento, assim como se sustenta sozinha como uma magnífica história sobre um tipo diferente de menina enfrentando o mesmo tipo de problemas que importunava a protagonista dos livros, Tally.

O quanto foi colaborativo o processo?

Devin: Nosso processo foi muito colaborativo, o que é uma das principais diferenças entre trabalho em prosa e em quadrinhos. Talvez Scott discorde de mim, mas na minha experiência escreve um livro é um processo muito isolado e auto-dirigido. Você passa hora e horas sozinho transformando as histórias na sua cabeça em escrita narrativa compartilhável. A energia criativa necessária – toda da qual deve ser auto-gerada – é enorme. Pela sua própria natureza, trabalhar no meio dos quadrinhos é muito mais colaborativo. A menos que esteja criando, fazendo o script, desenhando, passando tinta, colorindo, letrando e editando sua própria história em quadrinhos, você está imediatamente em um ambiente mais colaborativo. Isso é parte do que amo sobre trabalhar nesse meio – a chance de ser parte de um time enquanto escrevo (aqui está o complexo por amigos de novo!). Há um tipo especial de amizade nos quadrinhos (e, por extensão, histórias em quadrinhos) que não eixste em qualquer outro meio de escrita, com a possível exceção de escrever letras no contexto de material musical original para um banda. Ainda há um período de tempo, após receber os esquemas de Scott e antes de transformá-los em script, o qual estou fazendo sozinha, formando e ritmando a história – mas sabendo que estou perambulando pelo mundo de outra pessoa faz com que eu me sinta mais uma turista numa jornada incrível em grupo do que um tipo de Deus criador de mundos sozinha em um universo indefinido (que é a sensação de escrever um livro original).

Scott: É verdade que ter colaboradores traz um energia inteiramente nova ao processo. Minha atual série de livros, Leviathan, tem o artista Keith Thompson ilustrando-a, e Alan Cumming lê os audiobooks. As contribuições deles tem afetado o modo que escrevo os livros a cada passo. Mas com o mangá Feios, sou mais alguém observando e guiando o processo, o que tem sido interessante de um modo inteiramente diferente. Para estender a metáfora de Devin, sou meio que um guia turístico, dizendo, “Você não quer descer essa rua. As coisas legais estão bem aqui.”

Como o processo tem trabalhado entre esquematizar e escrever?

Devin: Scott me enviou detalhados esquemas sobre o que estava acontecendo com Shay paralela às experiência de Tally nos livros, e eu as desenvolvi em script de quadrinhos para nosso incrível artista, Steven Cummings. Scott e nossa editora fantástica Betsy Mitchell (Random House/ Del Rey), estavam sempre disponíveis para me responder perguntas ou me ajudar a pensar através do nó da narração, e os dois editaram meus scripts quando eu tinha acabado e os devolveram para eu finalizá-los antes de enviar para Steven. Eu ajudei a coletar referências visuais para Steven e ele também tem o apoio de Scott, Betsy e eu enquanto trabalha. Já que nós todos moramos em partes diferentes do mundo – acredito que Scott estava na Austrália quando começamos, eu moro na Califórnia, Betsy em Nova York e Steven no Japão – houveram um monte de e-mails ambos divertidos e sérios vigorando pelo ciberespaço enquanto nós trabalhamos juntos para criar essas novas histórias.

Muito obrigada a ambos Scott e Devin por responder nossas perguntas. Shay’s Story está marcado para ser lançado em Maio, 2012. Verifique o site do Scott para atualizações.

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